Entrevista com  Flavio Rebello

E a votação do Sampadeus finalmente chegou, mas o número de cidades participantes é bem menor do que o esperado pela Direção Nacional. O que aconteceu? Para esclarecer este e outros pontos sobre essa consulta ao eleitorado paulista, o SPL entrevista Flavio Rebello, presidente nacional do movimento:
(SPL) - Antes de mais nada, em nome de todos os interessados no Sampadeus e na independência paulista, agradecemos por sua disponibilidade em dar essa esclarecedora entrevista pra gente, Flavio!
(Flavio) - Eu é que agradeço pela oportunidade de conversar um pouco mais profundamente sobre os desafios que foram, para mim e para toda a equipe do SPL envolvida no Sampadeus, ao organizar uma votação histórica como o Sampadeus aqui em São Paulo.
(SPL) - Você disse 'votação histórica'. Mas o fato é que temos muito menos cidades participantes do que foi previsto. Ainda assim você considera o Sampadeus um evento significativo para o separatismo paulista?
(Flavio) - Sim, claro que sim! O que tem de ser percebido é a perspectiva da coisa toda. Mesmo acontecendo em poucas localidades, será a primeira vez que um evento separatista paulista acontece em diversas cidades ao mesmo tempo. De fato, o Sampadeus, ainda que nesta versão, infelizmente menor do que o que tínhamos planejado, já é a MAIOR AÇÃO SEPARATISTA PAULISTA DE TODOS OS TEMPOS. E isso ninguém poderá negar, pois a partir de agora haverá um 'antes' e um 'depois' do nosso Sampadeus, e isso vai, com certeza, movimentar ainda mais o até então parado separatismo paulista.
(SPL) - Uma votação pública, organizada simultaneamente em nove cidades é de fato algo chamativo. Mas por que você afirma que o Sampadeus, mesmo em sua versão menor, será um divisor de águas no separatismo paulista?
(Flavio) - Porque finalmente alguma coisa efetivamente foi feita pela independência paulista. Olhe, nos últimos 30 anos, o que foi feito, de fato, pra valer mesmo, pela independência de São Paulo? Alguns grupos fazem encontros em bares para discutir e tomar algo, sonhando com uma liberdade que nunca virá desse jeito. Outros grupos fazem uma ou duas marchinhas anuais com umas 10 ou 20 pessoas, e é isso. De resto, o separatismo paulista, antes do SPL, se resumia, basicamente, em um movimento de internet. Muito bla bla bla, muitos posts bacaninhas, mas só isso mesmo. O Sampadeus, mesmo menor, é uma ação fora da internet, fora de um bar, fora do marasmo que durante muitos anos reinou absoluto no separatismo paulista. E é justamente por isso que eu digo e afirmo que, a partir de agora, fica claro que para aqueles que quiserem REALMENTE por a 'mão na massa', para aqueles que quiserem REALMENTE lutar pela independência paulista com ações concretas, com estratégias claras, com fatos e não apenas com palavras, o SPL é o movimento a seguir.
(SPL) - E isso explicaria a falta de apoio de outros movimentos separatistas paulistas ao Sampadeus?
(Flavio) - Sim, com certeza! A verdade é que SPL incomodou muita gente, nestes nossos quase dois anos de atividade, justamente por isso - por sermos um movimento ATIVO pra valer. Veja só uma coisa - antes do SPL, ninguém havia pensado em lançar bandeiras feitas em TNT, bem mais baratas, permitindo assim que todo separatista que quisesse tivesse sua bandeira sem precisar pagar muito. O SPL viu o problema, e fez essa bandeira. O que aconteceu? Depois de alguns meses, fomos copiados por mais gente, mas isso faz parte, né? Quando o SPL começou. dois anos atrás, não havia adesivos de carro para os separatistas paulistas. O que o SPL fez? Criou esse adesivo. E adivinhem só? Outros grupos copiaram a gente de novo. Tudo bem, fazer o que... O SPL lançou mão do PagSeguro para pedir doações em dinheiro diretamente de pessoas interessadas em apoiar o movimento. Sabe o que aconteceu? Fomos atacados em diversos grupos de discussão 'separatistas' por 'pedir dinheiro'. Mas hoje, vejam só, outros grupos começaram a fazer isso também, inclusive usando do PagSeguro. O SPL propôs uma moeda para o nosso futuro país - o Ouro Paulista - e até sugerimos como poderiam vir a ser as notas dessa nossa futura moeda nacional. O SPL criou uma linha de camisas separatistas, de excelente qualidade e design chamativo. O SPL lançou a Harpia como animal-símbolo da futura República de São Paulo. O SPL fez uma votação para a escolha do uniforme da seleção paulista de futebol, e ainda mandou fazer essa camisa, que agora está à venda para quem quiser parar de usar a camisa da seleção brasileira. O SPL criou a maior bandeira separatista até então, com mais de 24 metros de comprimento, e a levamos diversas vezes para a av. Paulista, onde ela foi conduzida por dezenas de paulistas, entusiasmados ao ver a bandeira gigante de nosso futuro país. E tudo isso fizemos em menos de dois anos de vida. Imagine o quanto faremos nos próximos anos. Isso é ação de verdade, isso é atuar de fato pela liberdade. Isso só nos diz uma coisa - que um movimento ativo como o SPL, em menos de dois anos, deu um dinamismo e uma seriedade ao separatismo paulista que estava faltando, com certeza!
(SPL) - OK, mas então por que uma proposta dinâmica e efetiva para o separatismo paulista, como é o Sampadeus, não foi apoiado por outros grupos fora o SPL?
(Flavio) - A verdade é que o Sampadeus não foi apoiado por outros grupos aqui de São Paulo, apesar de, ironicamente, termos recebido muito apoio mesmo do pessoal de 'O Sul é o Meu País', talvez por eles serem tão dinâmicos e efetivos como nós, do SPL. E por que? Bom, simplesmente porque a ideia do Sampadeus veio do SPL, e não deles. Simples assim. Pequeno assim, lamentavelmente. Têm muita gente que ainda pensa no próprio umbigo ao invés de se preocupar com o futuro do país novo chamado São Paulo, que tanto queremos ver livre. E essa é uma das lições que aprendemos, nós, do SPL, com o Sampadeus - estamos nessa pela efetiva liberdade para São Paulo, e não para 'termos um movimento virtual, só na internet, com algumas dezenas de milhares de seguidores passivos'. Por sinal, essa foi a segunda lição que aprendemos com o Sampadeus. para ser bem honesto - a enorme passividade do típico 'separatista paulista'.
(SPL) - Como assim, passividade?
(Flavio) - Passividade, no sentido de até apoiar a causa separatista, e querer mesmo ver São Paulo livre do Brasil....só que desde que alguém faça por ele. Esse é o problema. Como um movimento como o SPL, que tem mais de 17 mil seguidores no Facebook, conseguiu apenas 12 pessoas dispostas a contribuir com um valor mínimo de R$ 10 para que comprássemos urnas e material de votação para o Sampadeus? Quando agendamos uma reunião, e a divulgamos na internet e nas mídias sociais, dezenas e dezenas dizem que virão, que participarão 'com certeza', mas na hora, 90 pessoas inscritas viram 9 ou 8 pessoas que efetivamente vieram. Essa passividade, na mesma proporção, atingiu o Sampadeus - tivemos, desde fevereiro deste ano, quando foi lançado a proposta da votação, mais de 600 pessoas que se inscreveram, de livre e espontânea vontade, como voluntários 'entusiasmados', para 'efetivamente trabalhar pela independência paulista'. Mas conforme os meses foram passando, mais de 90% desses voluntários desistiram, abandonaram o barco. Por que? Por pressão de parentes e amigos (que ficam dizendo que 'isso de separatismo é racismo', ou que 'separatismo é contra a lei', ou ainda, que 'isso não vai dar em nada'), e mesmo por uma questão de comodismo mesmo. O ponto é que enquanto não ficar absolutamente claro que sem a SUA PARTICIPAÇÃO, sim, sua, de você mesmo, que está lendo essa entrevista, a independência paulista simplesmente não virá nunca. Você é aquele que queremos no SPL! Você é aquele que vai fazer a independência paulista acontecer de verdade conosco. E se milhares pensassem assim, teríamos um Sampadeus ainda maior do que o já impressionante plebiscito sulista do último fim de semana.
(SPL) - Mas tem gente, em outros grupos separatistas paulistas, que dizem que o SPL errou ao convocar uma votação sem 'as coisas estarem preparadas' junto ao povo paulista. O que você diz dessa acusação?
(Flavio) - Eu digo o mesmo que já disse em algumas reuniões presenciais nossas - se formos esperar 'o momento ideal' para fazer ações efetivas e reais pela independência paulista, nunca faríamos nada, como os outros grupos fazem (ou não fazem). Porque são justamente ações práticas, efetivas e reais, que acontecem NO MUNDO REAL, que efetivamente vão acordar o povo paulista para essa realidade de injustiça, de preconceito e de desprezo que o governo do Brasil tem com São Paulo. O SPL conseguiu que uma prefeitura permitisse que fizéssemos uma grande festa, de vários dias, para comemorar a Revolução de 1932, no ano passado. Chamamos por voluntários - quase ninguém apareceu, e por isso, a 'Semana de 32' teve de ser, infelizmente, cancelada (queimando, inclusive, nosso contato na prefeitura dessa cidade). Chamamos então voluntários para trabalhar em dezenas de cidades de São Paulo, para fazermos o Sampadeus 2016. E descobrimos que, na hora H, muita gente simplesmente decidiu não ser mais voluntário. Ainda assim, conseguiremos fazer a votação em 8 cidades, pelo menos. E mesmo uma votação simultânea em 8 cidade já é mais do que aconteceu no separatismo paulista nos últimos 40 anos. Então é assim que o SPL faz - preferimos 'passar vergonha', 'pagar mico', 'propor coisas que não acontecem como planejamos', mas pelo menos estamos fazendo, estamos pondo a mão na massa, estamos atuando de fato, pra valer, pela liberdade paulista, e isso já é motivo de orgulho para os trinta e tantos voluntários que participarão do Sampadeus deste domingo.
(SPL) - Entendi, e como fica então a votação do Sampadeus desse domingo?
(Flavio) - Nesse domingo, quem quiser votar, poderá ir para o posto de votação mais próximo. Você, que quer votar, saiba que poderá fazê-lo até em outro bairro ou cidade que tenha posto de votação, se em sua localidade não houver posto por falta de voluntários. Basta levar um documento com foto (RG, Carteira de Motorista) ou seu título de eleitor, para que nosso mesário confirme que você é um eleitor do estado de São Paulo, e assim, votar pela independência para São Paulo.
(SPL) - E ainda dá tempo de incluir minha cidade ou bairro na votação, se eu juntar uma ou mais pessoas que se comprometam, pra valer, a ficar no posto de votação que fizemos no domingo?
(Flavio) - Sim, ainda dá tempo - pelo menos até quarta de manhã, temos como enviar as urnas e o kit de votação para gente que queira montar um posto para o Sampadeus em sua cidade. Eu, particularmente, adoraria ver um posto de votação pelo menos em Campinas, segunda maior cidade do estado; em Ribeirão Preto, uma referência urbana no interior, e mesmo em alguma cidade do litoral, isso sem contar em todas as outras cidades do estado. Se dependesse apenas de mim, de William, o coordenador-geral do Sampadeus, e de outros membros muito ativos e competentes do SPL, teríamos postos nos mais de 600 municípios paulistas. Mas como eu disse, o separatismo paulista é do tamanho de seus participantes, e agora, parece que temos muita gente apoiando a coisa na internet, mas fora dela, ainda pouca gente disposta a arregaçar as mangas e fazer a coisa acontecer com o SPL, entende?
(SPL) - Bom, se alguém que estiver lendo esta entrevista quiser ser um voluntário ativo, desses sérios, 'pau para toda obra' que vão atuar no domingo mesmo, como ele deve proceder, Flavio?
(Flavio) - Entre em contato urgente conosco, via email (contato@saopaulolivre.org), passando o nome completo, a cidade onde quer atuar, e um cel com DDD (e WhatsApp) pra gente entrar em contato. Mas lembrem-se, gente, que precisamos de no mínimo duas pessoas em cada posto - um mesário e um auxiliar de votação - então se for para montar um posto agora, nesses últimos dias antes do Sampadeus, melhor já nos contatar com os nomes de uma ou mais pessoas que aceitam ficar com você no posto, no domingo, dia 9 de Outubro, trabalhando como voluntário pela liberdade paulista, das 10 às 17 h.
(SPL) - Mais alguma consideração sobre o Sampadeus?
(Flavio) - Apenas uma - eu gostaria de, publicamente, agradecer ao William, à Célia, ao Baltazar, ao Augusto, ao Sinésio, e a todos os voluntários que participarão do Sampadeus nesse domingo. Sem vocês, esse grande evento não aconteceria. É um honra ter vocês no SPL, e é por gente assim que trabalhamos sem parar para que São Paulo fique livre!
(SPL) - Obrigado, Flavio, pela entrevista. E vamos esperar que muita gente venha votar no dia 9 de Outubro. E viva São Paulo Livre!